segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Gritaria

Eis que  num sábado de manhã, eu lidando com a vontade de ficar na cama e a necessidade de começar o dia, toca o telefone.
Ele queria levar o neto a um show de rock.
Não achamos apropriado uma criança ir a shows de rock, mesmo sendo matinê.
Mas nem entrei no mérito da coisa, uma vez que o menino estava de castigo, o que já havia sido avisado dois dias antes. Ainda assim, houve insistência. Outro não. E então, algo impensável aconteceu: ele gritou comigo. Gritava loucamente, ameaçando que eu estaria encrencada se não o deixasse levar o menino consigo. Me senti voltando muitos anos no tempo, e não gostei disso.
Não sou mais criança, não preciso que ninguém grite comigo.
Mereço respeito. Sou casada, tenho um filho, e como qualquer mãe consciente, tenho responsabilidades.
Me vi numa situação surreal: aquele que me criou, dando um ataque de birra e gritando comigo ao telefone, porque eu não liberava seu neto do castigo para ir a um show de rock.
Eu? Não gritei, mantive o tom de voz baixo. Tentei argumentar, em vão.
Mas fiquei assustada, coração batendo forte no peito. É ele mesmo ao telefone?
Ele foi tirado do telefone, e minha irmã, numa voz suave, tentou apaziguar as coisas.
Minha mãe veio falar comigo. Achei que seria uma bálsamo no meio da tempestade, mas a mesma só aumentou.  Entre cobranças de visitas (tínhamos nos visto na semana anterior, num almoço em minha casa) e um convite de almoço recusado em virtude de um compromisso, fui chamada de ausente.
Valeu aí, por acabarem com o meu dia.
Mas assim é a vida. Daqui a pouco minha tristeza passa.
Mas eu não vou esquecer.

23/10/2017

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